Soteria

Eu não sou a favor da internação involuntária e muito menos da medicação forçada. Existem alternativas de tratamento para esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo sem a intervenção de medicamentos (o que não existe ainda no Brasil). Entretanto, também não sou 100% contra medicamentos. Acho que eles podem ser utilizados como ferramentas para o tratamento desses transtornos mentais, mas o que acontece é que eles são usados indiscriminadamente por muitos profissionais da saúde.

Para quem tem dúvidas sobre as alternativas de tratamentos sem remédios para psicoses, recomendo o documentário Pegue essas Asas Partidas, produzido por Daniel Mackler:

Soteria é uma palavra grega que significa salvação ou libertação. Em abril de 1971, o psiquiatra Loren Mosher abriu em San Jose (Califórnia) uma casa de tratamento para portadores de transtornos mentais chamada Soteria. A casa tinha como política o não uso de antipsicóticos (ou apenas o seu uso mínimo em alguns casos) para o tratamentos de clientes diagnosticados com esquizofrenia.

A Casa Soteria de San Jose atendia de 6 a 7 pessoas por vez e seus colaboradores não tinham credenciais profissionais, mas eram selecionados através da sua capacidade de serem psicologicamente fortes, independentes, maduros e empáticos. Um dos princípios básicos para o atendimento das pessoas com transtornos mentais que ingressavam na casa era de que a sua experiência psicótica era compreensível dentro do seu contexto histórico.

Por incrível que pareça, a abordagem do Projeto Soteria de não uso de remédios (ou uso mínimo) apresentou resultados semelhantes senão superiores aos de outros hospitais psiquiátricos da época. Apesar de a Casa Soteria de San Jose ter sido fechada em 1983 devido a pouco investimentos no projeto, o seu modelo foi replicado em vários países da Europa.

Em Soteria Berne, na Suíça, os profissionais ficam 24 horas com os clientes, acalmando-os e dando sentimento de segurança. Como regras, eles não têm celulares e nem computadores e você não é permitido assistir a TV e nem escutar música, tendo como objetivo descartar os estímulos externos.

A Casa Soteria de Berne é uma casa normal no centro da cidade, onde os clientes podem sair e entrar a vontade. Lá, eles compartilham compras, cozinham e comem juntos, brincam, fazem jardinagem e caminhadas.

Para os interessados nesse tipo de tratamento, Loren Mosher lançou um livro chamado Community Mental Health: A Practical Guide, o qual pode ser adquirido pela Barnes & Noble através desse link.

Ainda não encontrei no Brasil locais com abordagens semelhantes às do Projeto Soteria. Às vezes tenho a impressão que a maioria dos profissionais que lida com saúde mental ainda tem receios em relação a esse tipo de abordagem. O que é feito em casas com o modelo Soteria implica em trabalhos que apresentam resultados no longo prazo, e não no curto prazo como possibilitam os antipsicóticos.

Infelizmente, a sociedade da pílula mágica se baseia em resultados rápidos. Apesar das novas políticas que estão sendo lançadas em relação à saúde mental que vão de encontro com a luta antimanicomial, espero que a situação no Brasil não piore.

Bibliografia

 

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Pra baixo

Recentemente, eu tive uma discussão com os meus familiares em relação a minha primeira internação. Dizem que quando uma internação é bem feita, ela não gera revolta. Entretanto, eu guardo muitas mágoas da minha primeira internação.

Pesquisando pela internet, descobri que existe a lei Nº 10.216 de 6 de abril de 2001, a qual garante direitos à pessoa portadora de transtorno mental. Eu não tinha conhecimento dessas leis e, ao lê-las, percebi que houve incongruências na minha primeira internação. Isso me deixou revoltado.

Logo que saí da minha primeira internação, eu fiquei muito pra baixo. Primeiro porque eu achava que estava todo errado, que fiz algo de muito ruim para merecer toda aquela privação. Enfim, saí me sentindo altamente culpado por estar naquela situação. Isso me fazia com que eu aceitasse tudo o que me dissessem e praticamente não havia resistência aos outros dentro de mim.

Lembro que a minha primeira psicóloga uma vez indagou se eu não sentia raiva e revolta. Na época em que ela me perguntou isso, eu não sentia mesmo. Eu sentia medo, como se, caso eu saísse fora da linha, voltaria à internação. Percebi que ainda carregava esse medo quando fui me consultar com o médico psiquiatra que atende dentro do hospital psiquiátrico em que fui internado. A todo momento em que eu falava algo pra ele, eu pensava: “será que ele vai achar isso anormal?” ou “será que ele vai achar que estou ficando psicótico?”

Isso se deve ao fato de que psiquiatras nos analisam para saber se somos normais ou não, tirando a liberdade de ser quem nós somos. Caso você não esteja num padrão de normalidade, bum, você recebe o rótulo de pessoa com esquizofrenia ou qualquer outro transtorno mental. Mas será que as alucinações e delírios não são respostas normais de nós mesmos para os problemas que estamos sofrendo? Eleanor Longden fala um pouquinho sobre isso na sua palestra do TED Talks. Ela fala que as vozes são uma reação sã para circunstâncias insanas.

A forma que a minha família conversou comigo me deixou pra baixo. Eu entendo que eles tiveram razões para me internar, mas não aceito que eles defendam o hospital psiquiátrico em que fui internado, o qual não cumpre com todas as leis. Eles me disseram que era a melhor opção que tinha aqui por perto em Florianópolis, então fico imaginando o quão ruim deve ser a pior.

O local onde fui internado não dava livre acesso aos meios de comunicação disponíveis, você não era tratado com respeito em todos os momentos, você não tinha direito à presença médica em qualquer tempo e não recebia o maior número de informações em relação ao seu tratamento e doença. Os médicos só apareciam uma vez por semana e, caso precisasse de informações sobre o seu tratamento ou doença, só podia adquirir através dele.

Sei que muita gente usa o discurso de que eu não deveria reclamar porque há lugares em que a situação é pior. Eu sei que existem lugares assim, mas isso não justifica o erro do outro. Há pessoas que sofrem abusos terríveis nas ruas. Não é porque existem pessoas sofrendo abusos terríveis que você vai aceitar desrespeito, mesmo que minimamente.

Além do mais, não vejo forma de evolução se fecharmos os olhos para esses tipos de coisa. Os padrões que considero humanos para tratamento de uma pessoa com transtorno mental vai além do que está escrito na lei Nº 10.216, portanto, um hospital psiquiátrico que não cumpre todas as leis está fazendo pouco pelo bem-estar de seus pacientes.

Portanto, a coisa tem que melhorar e devemos pensar duas vezes antes de internar um familiar em qualquer hospital psiquiátrico.

Era isso por hoje. Muito obrigado, pessoal!

Faz-se necessário não focar na doença

Você quer se recuperar de fato? Esqueça a doença. Passe a focar em coisas positivas. Pense: “eu tenho apenas uma dificuldade, e não uma doença.”

Imagine que, por exemplo, a dificuldade seja curável. Se lhe disseram que não tem cura, acredite que a cura existe. Acredite nisso cegamente e não deixe que ninguém lhe diga o contrário, nem mesmo o seu médico. Se alguém lhe disser que não tem cura, apenas responda: “a cura existe, entretanto, não a descobriram ainda” ou “a cura existe, entretanto, não a descobri ainda.” Isso me lembra o livro Mindset de Carol S. Dweck, o qual eu falo no meu primeiro post desse blog.

“Oh, não, mas isso é viver fora da realidade!” Não. Isso é viver dentro das possibilidades. E é só ver os fatos: há muitas pessoas que se recuperaram da esquizofrenia sem tomar remédios. Enfim, talvez acreditar já na cura esteja mais dentro da realidade do que se imagina.

Foi considerado pela ciência que a esquizofrenia é uma doença sem cura e que você deve tomar remédios pelo resto da vida de acordo com as estatísticas de milhares de dados científicos. Você não é um dado científico. Você é muito mais do que isso.

Muito da recuperação está relacionado a ser loucamente positivo que chega um momento que a doença nem existe mais pra você. Eu, por exemplo, nem lembro mais que a doença existe direito. Doença nem é uma palavra boa de se utilizar. Dificuldade é melhor. A dificuldade que eu tenho muitas vezes cai no meu esquecimento.

Agora estou mudando a mentalidade. Em vez de tomar remédios, estou tomando “vitaminas.” É assim que eu chamo os meus remédios agora, de “vitaminas.” Tudo que mude o meu vocabulário para algo mais positivo está valendo.

O que tem me lembrado muito dessa doença também foi o pensar que o meu propósito tem relação com ela. Eu achava que o meu propósito era ajudar pessoas que tinham esquizofrenia. Entretanto, estou diferenciando as pessoas no meu propósito. O meu propósito é ajudar QUALQUER pessoa, sem diferenciação e não importa se tem esquizofrenia ou não.

Então essa minha nova forma de pensar me faz esquecer a dificuldade. Viver a vida também me fez esquecer a dificuldade. Eu ocupo a minha cabeça com tanta coisa que a dificuldade fica em segundo plano. Sempre estou fazendo coisas novas, trabalhando nos meus objetivos, lendo livros, conversando com pessoas e até mesmo namorando. Tudo isso me lembra que eu sou uma pessoa “normal.”

Então esqueça a doença. Esqueça esse blog. Esqueça tudo relacionado a esquizofrenia. Comece a se recuperar agora acreditando no seu potencial. Quando for falar com o seu médico novamente, diga: “estou tendo dificuldade com pessoas que vejo e não existem” ou “estou tendo dificuldades com tristeza profunda.” Evite dizer: “eu tenho esquizofrenia ou eu sou esquizofrênico.” Deixe isso para o seu médico.

Essa a mensagem que tenho a todos vocês que querem se recuperar.

Um forte abraço a todos e adeus!

Objetivos pessoais e lidando com a libido

Olá, pessoal!

Estou comprometido a fazer um vídeo por semana para o vlog. Hoje fiz um vídeo falando sobre os meus objetivos pessoais e como lidar com a libido (já que, nós que tomamos antipsicóticos, temos alguns problemas com isso). Abaixo o vídeo:

Acho importante pensar nos objetivos pessoais porque é o que vai dar a você impulso para sair da cama e partir para a recuperação da doença. Eu costumo pensar: “não importa a sua situação, você sempre pode fazer algo por si mesmo.” Portanto, se você está na cama e pensa que vai ficar assim pra sempre, se levanta agora! Olhe pra você no espelho e imagina que tipo de pessoa quer ser daqui pra frente. Olhe bem nos seus olhos e se conecte com a sua alma. Você tem muito amor pra dar a esse mundo. As coisas não terminam por aqui.

A forma de lidar com a libido de maneira natural segue as seguintes recomendações:

  • Fazer exercícios físicos.
    • Melhora a circulação de sangue no corpo, então 30 minutos por dia de exercícios físicos que façam o seu coração bater pode ajudar a melhorar a sua libido.
    • Exercícios de força ajudam a produzir mais testosterona no caso dos homens, hormônio que tem forte relação com a libido.
    • Produz endorfina, que melhora o seu humor.
  • Meditar
    • Eu não sabia dessa, mas meditação pode melhorar a sua libido porque diminui o estresse. Além disso, meditação está associada à produção de serotonina, dopamina e melatonina no cérebro, todos neurotransmissores relacionados ao bom-humor.
    • Meditação ajuda a desenvolver maestria dos seus pensamentos emoções, portanto, você pode focar mais no seu parceiro ou parceira e diversão mútua.
  • Comer saudável
    • Algumas comidas podem aumentar o fluxo sanguíneo. São elas a cebola, bananas, pimentas, alimentos rico em ômega 3 (salmão, sardinha, linhaça, etc) e ovos.
  • Não beber muito álcool
    • A princípio, álcool em quantidade beeeeeem moderada pode ajudar a diminuir a ansiedade e reduzir o estresse, entretanto, eu prefiro não depender disso. Álcool pode detonar a sua libido se em quantidades altas.
  • Controlar o estresse
    • Conversa com o seu parceiro ou parceira sobre o seu estresse pode ajudar a fortalecer o relacionamento e, consequentemente, reduzir o estresse.
    • Exercícios físicos também ajudam a reduzir o estresse.
  • Tomar sol
    • Há uma relação do baixo teor de estrógeno nas mulheres e baixo teor de testosterona nos homens com níveis baixos de Vitamina D (um estudo científico apontou que ficar no sol por uma hora pode aumentar os níveis de testosterona no homem por 70%).
    • A luz do sol também estimula os níveis de serotonina, hormônio importante para manter bom-humor e vida sexual saudável.

De resto, eu tenho a preocupação de que se eu consigo realmente sustentar um trabalho. Apesar de estar saudável, eu tenho vários embates na minha mente. O trabalho para mim, está suposto a ser algo que ajude o mundo de fato, e não simplesmente seja uma fonte de renda. Eu tenho muita preocupação com isso.

Trabalhar vendendo calçados não foi gratificante pra mim porque eu sentia que, por nada não, pessoas precisam mais de inspiração e mensagens positivas do que de calçados. Pessoas precisam de liberdade e imagino que o melhor trabalho para mim seria traduzir as mensagens de pessoas positivas para o nosso idioma. Além disso, gosto de trazer informação nova para o nosso idioma e compartilhá-las com falantes de outras línguas.

Não encontrei um emprego que combinasse com esses meus desejos. Enfim, acho que não é possível encontrar o trabalho perfeito, a não ser que a gente o invente. Vou continuar na busca.

Era isso pessoal. Para qualquer dúvida ou pedidos, deixem nos comentários.

Abraços a todos!

Amorosidade

Nesse final de semana, eu fui a um evento que se chama Inteligência Criativa, realizado pelo Movimento Phanchay. Quando eu vi a publicação do Felipe Marx sobre o evento, eu pensei: “é esse mesmo que eu quero ir, de certeza. Um evento sobre criatividade com recomendação do Alemão deve ser muito bom.” E o evento foi muito bom mesmo.

Pude descobrir muitas coisas sobre mim e sobre as minhas crenças. Quantas crenças limitantes nós temos e, às vezes, culpamos outras pessoas por termos elas. Mas a verdade é que a responsabilidade é nossa. Não é necessário encontrar um culpado dos nossos problemas, mas faz parte de nós mesmos saber que a responsabilidade sobre qualquer circunstância das nossas vidas é nossa. Não tem desculpa. Somos nós que trilhamos o nosso caminho.

O ilustríssimo Cristian Bobadilla, com todo o seu humor e maturidade espiritual, conduziu-nos a descobertas impressionantes. Às vezes eu penso que não adianta explicar as sensações, e sim que as pessoas têm que viver a experiência mesmo. Tem que sentir na pele aquilo acontecendo. Sentir no estômago.

Muitos compartilharam a sua história e eu tive a oportunidade de compartilhar sobre a minha esquizofrenia (a qual agora eu busco uma nova opinião de diagnóstico). O mais impressionante desse evento é que todos estávamos rodeados de amor. As relações transcendiam o ego. Nós tivemos contato com isso na prática.

O que isso trouxe pra mim? Bem, eu tenho muito amor pra dar a esse mundo. E acredito que todos sejam como eu, com muito amor para dar a esse mundo. Que focássemos mais no amor que temos para dar do que nas brigas e intrigas do cotidiano, imagina o quão melhor o mundo seria? Pessoas engajadas por um bem maior.

Mas ainda fico atento ao meu lado negro. Amor é importante, claro, mas eu possuo um lado negro que eu não me recuso conectar. É como se muita da minha confiança viesse disso. Tenho amor pelos próximos, pelos meus amigos e familiares, mas não recuso conectar-me com isso.

Era isso por agora. Espero que muitos daqui venham a conhecer o trabalho do Felipe Marx e do Movimento Phanchay, porque realmente é impressionante.

Um forte abraço a todos.

Muito amor e paz.

Prisão

Estou decidido a buscar uma segunda opinião em relação ao meu diagnóstico de esquizofrenia ou esquizoafetividade. Lembro que os meus sintomas negativos aconteceram coincidentemente no mesmo momento em que comecei a tomar antipsicóticos. A única coisa que me prende ao diagnóstico de esquizofrenia ou esquizoafetividade são os sintomas negativos.

Eu imaginei que essa decisão de buscar uma segunda opinião fosse ir de encontro com o que a minha família pensa ser o melhor para mim, entretanto, não foi isso o que aconteceu. Os meus pais ao menos compreenderam serenamente de que eu possa buscar uma segunda opinião, mas me alertaram de que talvez o médico não vai poder definir o meu diagnóstico logo na primeira consulta.

Apesar de eu amar muito a minha família, eles às vezes me colocam numa prisão psicológica. Essa prisão é parte culpa deles e parte culpa minha. Desde que eu tive o meu primeiro surto, muitos dos meus familiares têm me tratado como se eu fosse de cristal. Não sei quantas vezes já fui alertado de que eu tenho que tomar cuidado ou de que tenho que ter calma por causa das minhas decisões. Eu sei que às vezes sou ansioso, mas também tomo decisões serenas. A questão é que também tenho o direito de errar.

Sempre que eu discuto ideias como sair de casa, conseguir um estágio ou emprego ou até mesmo sair para uma festa, sou tratado como alguém frágil. Parece que não tenho as condições de ser o Luiz Paulo bravo, forte e guerreiro.

É por isso que falo que isso é como uma prisão. Se eu for me deixar levar pelo medo dos meus familiares, eu não tomaria nem metade das ações que foram importantes para a minha recuperação. Mas agora se eu penso um pouco outside the box, percebo que consigo me encorajar e deixar os medos de lado.

Mensagens como: “toma cuidado”, “vá com calma”, “você tem que medir isso”, “você tem que pensar melhor”, “você tem que reconhecer que tem essa condição”, etc não encorajam ninguém. Mensagens como: “vá fundo”, “faz isso mesmo”, “foda-se”, etc podem levar alguém à miséria. Mas mensagens como: “faça, mas antes vamos estudar como fazer isso da forma que melhor o ajude” e “você pode fazer e vou estar do seu lado para o que for” são mais encorajadoras e dão suporte.

Se você tem um familiar com esquizofrenia, não fique colocando medo nele. Não use a condição dele para fazê-lo se sentir fragilizado. Em vez disso, pratique o amor. Seja mais amoroso e menos medroso. Dê suporte. O medo é bom, mas com medida.

Era isso por hoje.

Espero que todos estejam bem e fiquem com Deus.

Special Books By Special Kids

Abaixo, o último vídeo de Cecilia McGough sobre a sua esquizofrenia com legendas em português (é necessário ativar as legendas no player de vídeo do YouTube):

O vídeo foi feito pelo canal Special Books By Special Kids e teve mais de 5 milhões de visualizações no YouTube.

Vale muito a pena conferir os vídeos de Chris Ulmer e sua equipe. O último vídeo que ele lançou me deixou emocionado, falando sobre a história de Kayne, um rapaz que teve câncer DIPG (Diffuse Intrinsic Pontine Glioma). A mensagem de Kayne é a que mais me impressiona e me deixou emocionado. Kayne queria que não tivéssemos nada como garantido e que aproveitássemos a vida. Que vivêssemos.

Muito obrigado pela atenção, pessoal!

Até a próxima.

Histórico de limites

Uma coisa que é importante prestar atenção logo após o surto psicótico é o teu histórico de limites. É necessário saber até onde vão os teus limites como, por exemplo, em relação ao trabalho.

Antes da esquizofrenia, eu sabia que, por exemplo, eu podia trabalhar 9 horas todos os dias no período de uma semana. Eu sabia mais ou menos o quão desgastado eu iria ficar. Entretanto, depois do surto psicótico, esse histórico de limites não é mais o mesmo. É necessário iniciar um novo histórico.

O mesmo serve para os estudos. Antigamente eu podia pegar 25 cadeiras durante um semestre da faculdade. Hoje talvez eu tenha que pegar 16 cadeiras. Acredito que seja importante conversar com o coordenador de seu curso sobre as suas limitações (através de um laudo médico) para que você possa prolongar o período que vai cursar a faculdade.

Essa é uma questão bem peculiar porque cada um tem um limites diferente. Eu sou da opinião que, mesmo tendo essa condição, devemos testar os nossos limites e, para os que estão ao redor da pessoa que tem esquizofrenia, é importante mais encorajar do que colocar medo.

Muitas pessoas ao meu redor já me disseram: “toma cuidado para não se estressar de mais”, “você não pode se estressar”, etc. Reconheço a preocupação que essas pessoas têm por mim e sou muito grato por seus cuidados, entretanto, esses tipos de argumentos só me deixam mais inseguro quanto aos meus limites. Portanto, acho interessante encorajar mais do que colocar medo, mesmo pra quem tem essa condição de esquizofrenia.

Tudo muito depende do tipo de trabalho que a pessoa está fazendo. Eu trabalhei 8 horas com animação por dia e não tive muito estresse. Entretanto, fui trabalhar durante 1 dia numa loja de calçados e já fiquei estressado (fiquei com fome no dia). Então é necessário saber que tipo de trabalho lhe dá menos estresse e com que tipos de pessoas você está lidando.

Eu acredito muito no potencial de pessoas que têm esquizofrenia porque eu acredito no meu potencial. Eu percebo quando as coisas estão saindo do trilho. Então era isso por hoje. Acredite no seu potencial e construa o seu novo histórico de limites.

Forte abraço a todos.

Até a próxima.

Meditação

Olá, pessoal! Hoje eu resolvi fazer algo diferente e gravar um vídeo. Pensei que pudesse ser algo que me tire da zona de conforto, então lá vai:

Passei por um período de depressão na última semana, mas, depois do fim de semana, fiquei melhor. Eu saí para um bar com os meus irmãos e, apesar de eu achar que nunca fosse sentir felicidade, eu tive momentos de alegria.

Apesar da alegria, eu estou prestando mais atenção em mim mesmo porque eu posso ter estados de euforia, ou seja, talvez eu tenha esquizoafetividade. Eu conversei rapidamente com o meu médico sobre isso por WhatsApp. Talvez então tenha que ser mudada as minhas medicações.

No entanto, eu tenho passado bem. Joguei futebol no final de semana com os meus primos e me saí bem para quem estava sem agarrar no gol por muito tempo (por nada, não, mas o meu time ganhou, rsrs).

Acho que muito da minha depressão vem porque eu não estava fazendo muitos exercícios físicos (estava fazendo uma média de 2 vezes por semana) e a minha dieta estava muito ruim (ainda não está muito boa). A meditação tem ajudado bastante. Comecei a fazer desde quarta-feira passada e quero manter uma rotina de 5 minutos de meditação por dia. Abaixo um guia de meditação (em inglês) feito por Owen Cook:

Decidi também que vou voltar para a minha faculdade de Design. O que me prende ao Design ainda é a fotografia e acho que posso explorar mais isso na faculdade. Portanto, eu estaria sendo burro se deixasse essa oportunidade passar. Tenho outros projetos relacionados ao meu estudo daqui pra frente, os quais eu vou contar aqui no blog.

Fiquem ligados no Students With Schizophrenia. Abaixo, uma prévia do Students com legendas em português:

Era isso por hoje! Forte abraço! Até a próxima!