Pais podem ser tóxicos

Às vezes dói muito perceber que um pai ou uma mãe não está ouvindo você de fato. Dói muito quando um pai ou uma mãe deturpam o que você está dizendo, fazendo-o(a) se sentir errado(a) ou culpado(a) por algo. Dói muito perceber que os seus valores são muito diferentes dos valores dos seus pais (e até mesmo de outros familiares) e que você queria que as coisas fossem diferentes, então você tenta convencer os seus pais de que as coisas poderiam ser diferentes. O que você ganha, no final das contas, é decepção atrás de decepção.

Esse não é uma postagem para ofender pais e mães, mas apenas para deixar claro que pais muitas vezes podem ser extremamente tóxicos e temos que aprender a lidar com isso. Quem foi diagnosticado com esquizofrenia muitas vezes depende dos pais para continuar sobrevivendo, e isso às vezes significa ter uma relação próxima com alguém que, apesar de te dar comida na boca, faz com que você se sinta um miserável.

Acho que é importante compreender que os nossos pais tiveram uma vida totalmente diferente da nossa, além de que muitas vezes eles querem apenas nos proteger. Um pai pode não apoiar o seu filho na decisão de estudar arte porque tem medo que ele morra de fome. Então é empurrado goela a baixo profissões como advogado, médico, dentista, etc. Mas isso ocorre porque eles sofreram muito no seu passado, e eu não digo apenas sofrimento físico como fome, trabalho infantil e entre outros, mas sofrimento emocional e psicológico. Imagina que, naquela época (ao menos na época dos meus pais), era comum sofrer bullying pesado por simplesmente chorar por seja lá o que for. Então não é de se admirar que muitos pais da geração X (nascidos entre 1960 e 1980) tenham uma casca muito grossa que protegem as suas emoções mais profundas.

Isso não significa que devemos aceitar qualquer comportamento abusivo e narcisista de nossos pais. Devemos, sim, aprender a lidar com esses comportamentos, nem que seja se retirando quando perceber que tal coisa acontece ou então se afastar um pouco para curar as próprias emoções.

Às vezes demora para percebermos que um pai ou uma mãe estava tentando nos manipular e, quando percebemos, isso realmente dói muito. É como um nó complexo que jogam para nós e precisamos ter paciência emocional para desatá-lo. Pode ser que, por conta desse nó desatado, venha raiva e outras emoções.

Apesar disso tudo, os nossos pais não são diretamente responsáveis pela nossa situação de diagnóstico de esquizofrenia. Muitas vezes, eles desempenham um importante papel ao nos prover sustento para que possamos nos recuperar. Podemos culpá-los por tudo que aconteceu de errado nas nossas vidas, mas também temos que agradecê-los por tudo que aconteceu de certo.

Realmente é um desafio lidar com pais tóxicos, entretanto, nós conseguimos. É possível! Se é possível vencer a esquizofrenia, pais tóxicos estão suposto estão suposto a ser mais fáceis.

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O que é remissão na esquizofrenia?

Quanto a essa postagem, devo dizer que não sou especialista em termos técnicos de esquizofrenia. Estou apenas transferindo aqui o que eu aprendi através de leituras e convívio com essa doença e, caso algum profissional ou especialista encontre aqui alguma discrepância, peço que me informe.

A remissão na esquizofrenia pode ser definida como um mínimo grau de sintomas da doença. Esse conceito é formado através de um critério de avaliação chamado PANSS (Positive and Negative Syndrome Scale), no qual o paciente precisa ficar com uma pontuação igual ou inferior a 3 nos últimos 6 meses em determinados elementos (a avaliação PANSS em inglês pode ser encontrada nesse link). Os elementos avaliados para a determinação da remissão na esquizofrenia são os seguintes:

  1. Delírios (P1);
  2. Conteúdo incomum do pensamento (G9);
  3. Alucinações (P3);
  4. Desorganização conceitual (P2);
  5. Maneirismos e postura (G5);
  6. Afeto embotado (N1);
  7. Afastamento social passivo/apático (N4);
  8. Falta de espontaneidade no fluxo da conversação (N6).

Esses elementos são avaliados dando uma nota de gravidade de 1 a 7:

  1. Ausente;
  2. Mínimo;
  3. Leve;
  4. Moderado;
  5. Moderadamente severo;
  6. Severo;
  7. Extremo.

Eu, por exemplo, não tenho mais delírios, portanto, a minha nota para Delírios (P1) no PANSS é 1 (ausente). É claro que um médico especialista vai definir esse critério com maior precisão, pois, caso a pessoa tenha delírios, é necessário avaliar a sua gravidade. Para avaliar um paciente com o PANSS, uma entrevista clínica de 45 minutos é feita com o paciente e até mesmo familiares.

Na teoria, o próximo passo após a remissão é a recuperação da esquizofrenia. O conceito de recuperação é quando, por 2 anos, o paciente/cliente tem remissão dos seus sintomas, está trabalhando ou ocupando um papel apropriado na sociedade, tem a habilidade de fazer tarefas do dia-a-dia sem supervisão e tem interações sociais.

Eu, por exemplo, ainda não atingi a recuperação porque não tenho remissão por mais de 2 anos (até metade de 2017, eu tinha muito embotamento afetivo e afastamento social). É claro que essas avaliações servem mais aos profissionais do que aos pacientes/clientes, entretanto, eu gosto de ter noção de qual estágio eu estou no tratamento. É como atingir fases do video game, hehe.

Existe, sim, a possibilidade de uma recuperação sem remédios, a qual muitos profissionais cinicamente dizem que não foi necessariamente um caso de esquizofrenia. Eu prefiro manter as esperanças do que ser um bom paciente/cliente para os médicos psiquiatras porque, apesar de todos esses critérios de recuperação e remissão, quem toma as rédeas da minha vida sou eu (e é claro que procuro fazer isso com prudência).

Era isso por hoje. Deixo abaixo as referências:

O problema com a paixão

Sei que essa postagem tem pouco a ver com esquizofrenia em si, mas é que carreira foi um tema crucial na minha psicose, portanto, vale a pena ler.

Por muito tempo, eu fiquei andando de um lado para o outro tentando descobrir qual era a minha paixão, ou seja, o que eu gostava de fazer que, automaticamente, levasse-me a estados de alegria. Já pensei em ser escritor, artista, psicoterapeuta, life coach e entre outros. Eu também já experimentei muitas coisas na vida, como artes marciais, pintura, design, um pouco de música, teatro e entre outros. Essa busca por algo que me dê paixão pode ser delirante e, no caso, é necessário ser pé no chão para decidir por algo.

Não acho que encontrar a nossa paixão vá nos levar automaticamente para a felicidade. Ter tal pensamento, como eu disse, é delirante. No entanto, é necessário encontrar alguma vocação onde você possa expressar a sua criatividade e, ao mesmo tempo, servir às pessoas. Muito coaches e até mesmo pessoas ligadas à Nova Era vendem essa ideia de que paixão e propósito de vida vão levar tudo automaticamente ao êxtase. Steve Jobs vendia essa ideia (basta dar uma olhada no discurso dele abaixo) e ela pode guiar uma pessoa à falta de ação:

O discurso de Steve Jobs é, sim, muito inspirador e ele indica seguirmos o nosso coração e não desistir nunca de encontrar a nossa paixão. É uma pena que ele não conta sobre o trabalho duro por trás de alguém que corre pela sua paixão, deixando a impressão de que a paixão move tudo.

Eu gosto de desenhar e me identifico com essa área, entretanto, toda vez que eu ficava com preguiça de desenhar ou achava que a tarefa poderia estar ficando chata, eu queria desistir porque acreditava que aquilo não era a minha paixão de verdade. Essa é a mentalidade do apaixonado, daquele que acha que a paixão vai resolver tudo na vida. Digo e repito, isso é delirante (se duvidar, tem profunda ligação com o meu caso de psicose) e, na pior das hipóteses, um conto de fadas para crianças.

Pessoalmente, gosto da mentalidade do artesão de Cal Newport, a qual explica que não há o “emprego ou trabalho mágico” que vai fazer você feliz, e sim que a sua carreira é sistematicamente elaborada. Ou seja, você pega uma habilidade que quer evoluir e que consiga ser criativo e impactante, investe tempo para se tornar um mestre naquilo (aprendizado que eu acredito que é pra vida toda) e, muito importante, não reclama do trabalho que tem. Para quem tiver interesse, Cal Newport é escritor dos livros So Good They Can’t Ignore You Trabalho Focado (ainda não li nenhum dos dois, mas me conectei com as suas ideias através de palestras e vídeos do YouTube).

livros-cal-newport

Eu amo ler livros sobre Nova Era, esoterismo e espiritualidade, mas como falei na postagem anterior, é preciso ser pé no chão, senão acabamos delirando e fugindo da realidade. Mesmo que fosse tudo verdade o que esses livros dizem, ainda vivemos numa realidade dual e somos seres humanos, portanto, é necessário continuar valorizando resultados, determinar objetivos reais e escolher aquilo que não apenas sentimos ser o certo, mas que também tenha embasamento racional.

Quanto ao trabalho, há também a mentalidade de que devemos estar a serviço dos outros. Por ser algo que me instiga a criatividade, quando alguém me pede um desenho, eu procuro atender aos pedidos daquela pessoa e compreender o que ela quer (mesmo que ela apenas diga: “desenha um índio pra mim de qualquer jeito”). Eu coloco o meu amor naquilo e procuro satisfazer a pessoa, dando a mais do que me foi solicitado muitas vezes. Não sei o porquê direito ainda, mas desenhar me desperta essas virtudes, entretanto, eu não cairia na armadilha de achar que isso ocorre porque encontrei o meu caminho mágico para a servidão e felicidade. Eu também tenho que sair da preguiça e zona de conforto para desenhar e isso é como se fosse um músculo a ser desenvolvido (músculo da força de vontade como se pode dizer).

Talvez esse discurso do pensamento de artesão seja semelhante à ideia de que talento é nada sem trabalho duro. Eu fico um pouco inquieto quando ouço pessoas dizerem que os resultados dos meus trabalho são fruto do meu talento. Se elas veem um desenho bonito: “ele tem talento para o desenho.” Se veem um texto bem escrito: “tem talento para a escrita.” Muitas dessas pessoas se esquecem que elas mesmas tiveram que dar duro na vida para aprender algo. Talento não é nada se você não treina todos os dias. Já ouvi gente me dizer que tenho talento para artes marciais, desenho, escrita, teatro, idiomas e etc. Eu nem me acho bom nessas áreas, mas o desenvolvimento que tenho nelas é fruto de aprendizado e horas de estudos, e não mágica ou pré-disposição genética.

Ainda tenho muitos livros para ler e o que aprender. Disciplina ajuda muito e, mesmo que eu desista da minha disciplina por alguns instantes e perca o foco, eu entro na trilha de novo. Por quê? Porque não desisto nunca!

Era isso por hoje.

Valeu, pessoal!

Tapa na minha cara para a realidade

Nessas últimas semanas, eu tenho me sentido mais ou menos, ou seja, nem muito feliz e nem muito triste. Eu queria ao menos me sentir contente e, para isso, eu tentava colocar na cabeça que para melhorar o meu estado eu só deveria praticar algumas afirmações, meditar, continuar fazendo terapia e acreditar que, num futuro próximo, as coisas fiquem melhores. Qual é a efetividade disso tudo para sair da minha zona de indiferença emocional? Quase zero.

Eu acho toda essa questão esotérica e de espiritualidade muito legal e me apoio bastante em materiais do tipo para me sentir melhor, entretanto, eles não são práticos se eu não me conectar com a realidade, com o que é, de fato, palpável.

Por exemplo, eu já li o livro Peça e será atendido de Esther & Jerry Hicks, o qual apresenta algumas divagações em relação à lei de atração e que você atrai o que pensa. Isso quer dizer que, se eu ficar lá meditando ou visualizando todos os dias o meu futuro ideal, vou atingir algo? É óbvio que não! Eu tenho que fazer algo para atingir o que eu quero porque fazer tem mais efeito do que pensar. Mas isso significa que os ensinamentos desses livros não têm nada de bom e é tudo viagem na maionese? Também não, porque tem que haver um equilíbrio entre o material e o espiritual, ou seja, entre a nossa realidade objetiva e a nossa realidade subjetiva.

Nesse feriado, eu quis mudar a minha condição e ficar mais contente, então saí pra balada duas vezes. Antes de sair pra balada, eu estava com pensamentos do tipo: “se eu usar tal gatilho mental, vou me sentir feliz nesse exato momento” e “vou aceitar as coisas como são porque tudo está funcionando de acordo com a perfeita construção divina”, logo, eu estava passivo e achando que eu podia ficar na minha zona de conforto que, ao encontrar o meu ponto ideal de introspecção, as coisas melhorariam automaticamente. Mas a verdade é que, depois de sair pra balada duas vezes abordando pessoas que eu não conhecia, conversando com amigos e indo a um ambiente que me coloca pressão, eu me senti muito mais contentamento por estar fazendo algo para me sentir contente.

É claro que, se uma pessoa se sente feliz com introspecção e conexão espiritual, ela deve fazer o que é melhor pra ela e manter as suas atividades normais. Entretanto, pra mim, que estava se sentindo sozinho, na zona de conforto e infeliz, continuar a introspecção e tentativa de conexão espiritual era a receita para mais infelicidade. Tem, sim, pessoas que ficam felizes naturalmente, mas esse não é o meu caso. Para eu ficar feliz, tenho que estar fazendo algo por mim mesmo e trabalhando nas minhas ambições.

Também sou a favor da ideia hardcore de que devo sair pra balada sem beber nada e sem usar nenhuma droga. A minha construção de momentos felizes tem que ser feita de forma 100% sóbria, mas não estou julgando que quem bebe e usa drogas seja vil e escória. De acordo com os meus valores, tenho que sentir contentamento genuíno. Eu não bebo não porque vi na Bíblia, ou então por que o mestre espiritual disse para eu não beber, ou então por que meu pai disse para não beber e etc. Eu não bebo e não uso drogas porque esses são os valores que quero cultivar e estão baseados em quem eu sou.

A minha construção de valores, apesar de poder serem vindas de uma alta consciência, elas não permanecem apenas nesse estágio. Eu sou mesquinho também e tenho baixa e média consciência porque eu sou um ser humano. Eu gosto de sexo, eu gosto de dinheiro, eu gosto de comer, eu gosto de esfregar na cara de uma pessoa que eu consegui algo que ela duvidava que eu fosse conseguir, eu gosto de status e etc. Mas também gosto de ser um exemplo de pessoa para os meus familiares e conhecidos, gosto de ajudar pessoas necessitadas, gosto de brincar com cachorro e gato e etc. Portanto, não fico preso a apenas valores de alta consciência porque reconheço que tenho defeitos e sou um ser humano.

Uma teoria que acho maravilhosa é a dinâmica em espiral de Clare Graves, a qual apresenta os diferentes níveis de consciência que um ser humano ou organização podem ter. São 8 estágios de evolução da consciência: bege, roxo, vermelho, azul, laranja, verde, amarelo e turquesa. Abaixo está o significado de cada estágio:

Então, como você poder ver na imagem, uma pessoa pode atingir diferentes estágios de consciência. Isso significa que uma pessoa que está num estágio de consciência amarelo tem apenas valores integrais e de média e alta consciência? Nunca vi! Não é à toa que vemos muitos mestres espirituais (que, na teoria, são de um nível de consciência turquesa) esbanjando riqueza, dirigindo carros de luxo e sendo até mesmo pegos em escândalos sexuais. É só ver exemplos como Eckhart Tolle (ganha milhões de dólares com seus livros), Osho (não tenho certeza, mas acho que ele tinha uma coleção de carros de luxo), Sadhguru (usar óculos de sol é luxo pra mim), Sri Prem Baba (envolveu-se num recente escândalo sexual) e entre outros. Todos eles têm alguma forma de apego pelo ego e acho que, se não tivessem, não se importariam mais com essa existência material.

Eu não sei o que vai acontecer depois que eu morrer porque não tenho certeza se reencarnação realmente existe. Posso ler toneladas de livros sobre o assunto e até mesmo ter alucinações e delírios sobre o tema, mas não é possível ter certeza sobre as experiências espirituais. Talvez eu morra e reencarne em seguida ou talvez eu morra, nada aconteça e a minha vida simplesmente termine. Por isso que falo sobre o tapa na cara para a realidade que eu recebi. Eu estava esperando salvação e felicidade em questões espirituais e de “alta” consciência e negando o ser humano que eu sou.

Portanto, quando eu me sentir descontente novamente, em vez de ficar apenas chorando, procurando migalhas de felicidade com livros espirituais e de auto-ajuda e forçando afirmações positivas e visualizações, vou ser pé no chão, reconhecer que sou um ser humano como qualquer outro e tomar uma atitude para melhorar o meu estado de contentamento.

Era isso por hoje.

Forte abraço!

Terapias alternativas me ajudam mais

Foto de destaque por Dawid Zawila através do Unsplash (Photo by Dawid Zawiła on Unsplash)

Pra começar, essa não é uma postagem para dizer que um tipo de terapia é melhor que a outra, portanto, peço que apenas mantenha a mente aberta e faça os seus próprios testes em relação ao que vou dizer. Cada um responde a terapias de forma diferente.

Eu fiz terapias convencionais por algum tempo já (só a cognitivo-comportamental fiz por mais de 2 anos) e tive poucos resultados com isso (sem contar o valor alto das consultas). Eu ia às consultas mais para falar de mim mesmo e tenho a impressão que isso apenas fortalecia a minha relação com o ego, não me ajudando a ser mais amoroso com os outros e muito menos comigo mesmo. Pior ainda era o fato de eu me sentir julgado pela minha própria psicoterapeuta, a qual fazia comentários horríveis durante as consultas.

Por muito tempo, algumas pessoas tentaram me convencer que eu devia continuar a terapia com a mesma psicóloga e até mesmo já tive algumas recaídas em que eu quis voltar pra ela. Parece até mesmo que eu gosto de ser castigado, mas ainda bem que eu consegui colocar a minha cabeça no lugar e ir em busca de outras alternativas. Há vários motivos para eu não querer continuar fazendo terapias convencionais:

  • A maioria dos profissionais fica atrelada a um pensamento científico racional (não é à toa que a cognitivo-comportamental tenta impôr a sua eficiência através das pesquisas científicas), mas quando se lida com emoções de pessoas, é SUPER IMPORTANTE deixar o lado racional mais de lado e focar mais na alma. Relacionar-se de alma para alma;
  • Não consigo confiar em profissionais que têm tais abordagens, justamente porque me sinto analisado, e não compreendido;
  • São terapias caras no geral;
  • Há muitos psicólogos que rejeitam a ideia de alma e plano espiritual, considerações que são muito importantes para mim;
  • Tenho a impressão que muitos psicólogos têm menos compreensão emocional de si mesmos do que eu de mim mesmo.

Pode ser que um dia eu consiga volta a fazer alguma terapia convencional, mas ainda não sinto que esse tipo de abordagem vá me ajudar.

Recentemente, eu experimentei fazer Barras de Access. Para quem não sabe, Barras de Access é um processo quântico que é feito através de toques suaves dos dedos em 32 pontos energéticos da cabeça. Esse processo exerce influência nas sinapses cerebrais, ajudando-nos a lidar com crenças ou padrões comportamentais que temos. Depois de ter recebido as barras, eu saí muuuuuito relaxado. Foi como se eu tivesse meditado nas montanhas dos Himalaias.

Mas então esse tipo de terapia é pra todo mundo? Acredito que não porque, aparentemente, você tem que ao menos aceitar receber Barras de Access. Acho que, se você ficar em resistência achando que essa historinha de ciência quântica é balela, é capaz de as barras demorarem para surtir efeito. No entanto, cada um tem o seu momento de se abrir para tal conhecimento.

Os efeitos da sessão de Barras de Access que eu fiz permanecem até hoje em mim. Eles não fazem nenhum tipo de milagre (apesar de achar um tanto milagroso o prazer que senti logo após sair da sessão), portanto, eu continuo tendo que usar a minha força de vontade para me organizar (mas com uma paz mental que me fascina).

Há outros tipos de terapias que é possível explorar como a respiração bioenergética, respiração holotrópica, o Reiki, a acupuntura e, recentemente, ouvi falar da terapia somática. Tirando a respiração bioenergética, as outras que citei eu ainda não experimentei. Mas só a respiração bioenergética me forneceu conexão emocional que há muito tempo eu não sentia. E há muitas outras terapias que podem ser exploradas:

  • Apometria;
  • Arteterapia;
  • Astrologia;
  • Auriculoterapia;
  • Atenção plena;
  • A Mesa Quântica Estelar;
  • Bambooterapia;
  • Constelação familiar;
  • Hatha Yoga;
  • Hipnoterapia & Regressão (ouvi falar que pessoas com esquizofrenia não podem fazer);
  • Liberação psicomuscular profunda;
  • Massoterapia;
  • Meditação ativa de Osho;
  • Naturologia;
  • Parapsicologia clínica;
  • Radiestesia sensitiva e Captação;
  • Radiestesia genética;
  • Reflexoterapia;
  • Tai Chi Chuan;
  • Terapia floral;
  • Terapia holística;
  • Terapia de integração craniossacral.

Eu me sinto muito mais acolhido ao saber que há esses tipos de terapias que podem me ajudar, me serenar a mente e me curar. Aliás, as possibilidades de cura da esquizofrenia têm muito a ver com essas terapias alternativas, terapias que lidam não apenas com questões do corpo, mas também com questões da alma.

Então vamos manter a mente aberta, pessoal! Tentem fazer alguma terapia alternativa com um profissional DE CONFIANÇA e comentem aqui.

Forte abraço!

Personalidade estilhaçada

Um problema que enfrentei muito depois que tive o meu primeiro surto psicótico foi o fato de eu não conseguir mais saber quem eu sou. Se eu não sou o Luiz Paulo de religião tal, ideologia tal, orientação sexual tal, carreira tal e preferências tais, quem eu sou? Todos esses questionamentos me surgiram enquanto estava no surto psicótico, além de reconhecer que o mundo em que eu vivia não se encaixava muito bem com os meus valores.

Somos ensinados desde cedo que devemos ser normais, entretanto, o que é o normal? O normal é gente defendendo com afinco o seu partido político? O normal é gente brigando por causa do seu time de futebol? O normal é discutir com a parceira ou parceiro por uma coisa fútil? O normal é fazer discurso de ódio? O normal é poluir o planeta? O normal é fazer uma faculdade, trabalhar, casar, ter filhos e se aposentar? Se isso é o normal, posso dizer com todas as palavras: eu não sou normal. O que me ensinaram não condiz com o que eu acredito ser o certo para mim, logo, me preocupo com o esquecimento da identidade que eu tive, a qual precisa retornar à luz da minha consciência.

Muitas pessoas chamam aqueles com esquizofrenia de loucos, mas quem de fato é o louco nessa história? A sociedade que tem um padrão de normalidade doentio, ou o louco que não faz questão de ter um padrão de normalidade?

Às vezes eu participo de conversas com diferentes pessoas e percebo que são poucas as dispostas a escutar alguém. Se prestar bem atenção, boa parte quer apenas falar sobre si mesma. É uma enxurrada de discursos sobre os feitos delas. E eu me envergonho quando às vezes percebo que estou focado no ego e falando de mim mesmo, então acordo e penso: “caramba, Luiz Paulo, você ficou o tempo todo falando sobre si mesmo, coloque-se no seu lugar!” Pessoas falando sobre si mesmas é o normal, e não o contrário.

Então, no meio dessas questões de normalidade, tentamos nos encaixar com o que a sociedade quer de nós. Com o tempo, vamos esquecendo quem realmente somos e deixamos o ego tomar conta de nós mesmos. Chega um momento que você não aguenta viver mais numa mentira, mas o problema é que essa mentira não está mais sob a luz da sua consciência. A sociedade então nos chama de doentes mentais por nossa mente estar reagindo a isso.

Só para ilustrar um exemplo: quando você era pequeno e lhe disseram que rosa era cor de menina e que meninos não deveriam vestir nada com essa cor, você aceitou aquela informação talvez por pressão social e até mesmo medo (por exemplo, ser recusado pelos amigos e até mesmo familiares por ser um menino que usa a cor rosa). Então você aloja essa preferência pela cor rosa nos confins da sua mente e, se for o caso, nunca mais busca essa informação que lhe causou tanto sofrimento. O problema é que a informação fica guardada lá coçando a sua mente e dizendo pra si mesmo o tempo todo: “você gosta de rosa.” Você contra-ataca dizendo: “não, não posso gostar de rosa.” Então surgem os diálogos mentais e, quanto mais reprimendas você teve na vida, pior fica (talvez ocasionando o que chamam de psicose).

Tem um problema que ainda não sei responder que é: por que não conseguimos trazer à tona essas verdades que reprimimos ao longo dos anos em questão de segundos? Imagino que seria ótimo se pudéssemos simplesmente decidir: “eu quero a verdade agora!” Aí a verdade vem rapidinho, colocamos essas reprimendas de lado e, então, passamos a viver a nossa verdade.

Durante o nosso dia a dia, convivemos com as pessoas que nos reprimiram (sejam familiares ou amigos) e, na pior das hipóteses, elas culpam a pessoa com doença mental pelo surto psicótico. Por isso que combato tanto a ideia de que o surto é apenas um desequilíbrio químico cerebral. Essa geralmente é a justificativa que as pessoas que nos reprimiram tanto queriam porque, assim, elas não precisam se sentir mal pelo o que fizeram no passado (ou que fazem até hoje). É óbvio que ninguém precisa se sentir mal e não temos que encontrar um culpado (pessoas agem de acordo com o seu nível de consciência num dado momento), mas precisamos resolver o problema com o nosso surto psicótico e estilhaço da personalidade.

Hoje eu dedico a aprender mais sobre mim mesmo e é uma tarefa difícil enquanto se está tomando antipsicóticos. Acredito que o autoconhecimento pode me fazer feliz porque a minha bússola interna vai estar melhor calibrada para fazer as decisões importantes da minha vida. Não acho que serão soluções convencionais que vão principalmente me ajudar, portanto, busco algo novo. Já gastei muito tempo com soluções convencionais e não notei resultados bons e sustentáveis no longo prazo. Apenas quando busquei algo novo para o meu autoconhecimento que passei entender melhor a mim mesmo (apesar do bloqueio emocional causado pelos antipsicóticos).

A nossa personalidade pode sim estar estilhaçada e ficamos sem saber quem nós somos, mas ela ainda está ali. São terras cobertas por uma névoa muito densa, mas você ainda pode caminhar sobre ela. Basta ter fé e acreditar que é possível se conhecer.

Lancei o meu livro

Olá, pessoal!

Essa é uma postagem curta para a divulgação do meu livro gratuito sobre a minha história com a esquizofrenia. O livro tem o título de Conquistas após um diagnóstico: uma biografia em prol da recuperação e conta minha história desde quando fui internado até outubro desse ano (2018). Vale a pena conferir para quem busca inspiração na sua recuperação.

O livro pode ser visualizado através desse website: https://conquistasaposumdiagnostico.wordpress.com/

CONQUISTAS-APOS-UM-DIAGNOSTICO-CAPA

Capa do livro Conquistas após um diagnóstico: uma biografia em prol da recuperação.

Espero que gostem do livro!

Abraços a todos!

Precisamos falar sobre trabalho

Atualmente, eu não tenho um emprego oficial, mas já tive um que pode ser considerado muito bom sob a ótica da sociedade. Era um emprego com carteira assinada e numa empresa conceituada. Só que eu não aguentei trabalhar lá por mais de 2 meses.

Ter um emprego é importante para qualquer pessoa. Mesmo aquelas que já têm bastante dinheiro (na teoria, não precisariam mais trabalhar) precisam de um trabalho para contribuir ao mundo. Eu não diria que a pessoa tem que ter necessariamente um emprego, mas sim um trabalho (considerando aqueles que abrem o seu próprio negócio para contribuir com a sociedade).

Quando eu trabalhava nessa empresa conceituada, eu realmente não via futuro ali dentro porque não estava fazendo o que eu gostava. Eu não tinha coragem de morar sozinho (mesmo tendo condições caso fizesse um bom planejamento financeiro) porque os meus picos de depressão eram muito instáveis. Como eu não sabia se teria resiliência para me manter no emprego, eu não arrisquei pegar um contrato de aluguel perto do meu trabalho, caso contrário poderia me afundar num mundo de dívidas indesejáveis. Eu tinha que trabalhar 8h48 por dia, além de pegar trânsito de quase 1 hora para ir e 1 hora para voltar. Isso dava 11h48 de dedicação ao trabalho por dia (contando com o horário do almoço). Eu chegava em casa morto, sem energia e, para abafar as minhas tristezas e depressão, comia doces e porcarias industrializadas que só me colocavam ainda mais numa espiral negativa. Eu não sei se estava no caminho certo para uma boa recuperação do transtorno esquizoafetivo.

É engraçado eu contar isso porque eu achava que, quando eu arranjasse um trabalho, iria me sentir uma pessoa útil para a sociedade, com status e orgulhoso. Apesar de Jordan Peterson, famoso psicólogo americano, recomendar que pessoas com depressão peguem qualquer tipo de trabalho, eu não senti melhora após estar nesse emprego e tive apenas mais depressão, ficando cada vez mais gordo e infeliz.

O vídeo abaixo do Jordan Peterson tem legendas em português do Brasil (precisa configurar o YouTube).

Então eu me pergunto: o problema está em mim ou no trabalho? Acredito que nos dois.

O problema em mim significa que ainda não construí a ética de trabalho necessária para prosperar numa carreira. Falo de disciplina e questões como demonstrar aos meus superiores e colegas as minhas dificuldades no trabalho. Outro problema em mim é a falta de autoconhecimento. Eu não sei pelo o que eu sou apaixonado em fazer. Talvez apenas descobrir a minha paixão me ajude a ter ética de trabalho.

O problema que está no trabalho é que, droga, é um saco ter que cumprir horas e trabalhar dentro de uma empresa fechada. Ter que pegar trânsitos infernais todos os dias é de enlouquecer. Quando eu chegava no final do dia em casa, não tinha vontade para fazer mais nada. A minha energia estava esgotada. Eu também não consigo trabalhar muito bem em espaços abertos e prefiro cubículos (não por conta da doença, mas porque eu prefiro silêncio para trabalhar e 0 de interrupções). Eu prefiro também trabalhar em casa.

Um terceiro fator que pode ser considerado é que os remédios simplesmente me dopam. Depois que comecei a tomar antipsicóticos, a minha empatia diminuiu muito e era necessária para que eu atuasse no meu antigo emprego. Eu também perdi muita vivacidade com os remédios (talvez por isso da minha dificuldade em sentir empatia). Além disso, tenho a impressão que o antipsicótico diminui os meus níveis de energia (não é à toa que diminui a libido). Prosperar num trabalho enquanto se toma remédios psiquiátricos é um desafio imenso que eu não consegui superar.

Hoje não estou trabalhando num emprego, mas me mantenho ativo todos os dias. Se estou mais feliz do que quando tinha o emprego, posso dizer que sim porque tive tempo para trabalhar na minha depressão. Talvez se eu continuasse no emprego, não teria tempo de parar e pensar: o que estou sentindo? O que está acontecendo com a minha vida?

Não estou dizendo que as pessoas devam parar os seus empregos para refletir sobre a vida, mas que se deve refletir mais na vida do que em qual eletrônico você vai comprar quando receber o pagamento de um mês de trabalho.

A minha relação com o dinheiro também ainda não está saudável. Mesmo quando eu faço um trabalho autônomo para alguém, eu tenho medo de colocar um preço por aquilo. A pessoa me pede para, por exemplo, desenhar algo e, então, eu faço de graça. Não vejo como vou prosperar na vida se continuar tendo esse tipo de atitude depreciativa. Mesmo que desenho não seja a minha paixão, eu tive que me esforçar para fazê-lo. Só por conta disso, eu teria que abrir a minha boca e dizer: “faço, mas custa tal valor.”

Uma coisa que estou buscando agora é fazer trabalho voluntário. Acredito que quando trabalhamos numa causa que acreditamos, nos sentimos mais satisfeitos com a vida. Não cobramos nada por isso, mas aprendemos e fazemos novos contatos. Além disso, acredito que possa me ajudar a encontrar a minha paixão.

Muitas pessoas que têm esquizofrenia almejam muito conseguirem voltar a trabalhar (o que é muito nobre da parte delas), mas também é importante considerar o autoconhecimento antes de cair em qualquer emprego. Eu estou trabalhando no meu autoconhecimento e inteligência emocional para voltar a trabalhar com gosto. Portanto, espero que você também faça isso, hehe.

Eu não posso dar conselhos porque não sou nenhum perito em como encontrar o emprego ou trabalho dos sonhos, mas posso dizer o que vem me ajudando a descobrir mais sobre mim mesmo:

  • Ler livros – acho que isso fala muito sobre mim. Eu tenho um monte de livros sobre desenvolvimento pessoal e sou um viciado em autoajuda;
  • Grupos de apoio – é impressionante a forma como a energia flui em grupos de apoio. É um ambiente de amorosidade onde você pode ser escutado sem julgamentos;
  • Eventos e palestras – fui a um evento sobre criatividade aqui em Florianópolis que foi um divisor de águas para mim. Fui também a um evento do Thiago Rodrigo (aquele do vídeo do Ubuntu) que me ajudou a abrir o coração;
  • Cursos e workshops

Era isso por hoje, pessoal!

Até uma próxima!

Obs.: pra quem tiver curiosidade, esse é o vídeo do Ubuntu de Thiago Rodrigo:

Minha atual situação

Fiquei um bom tempo sem escrever para o blog Vivendo Com Esquizofrenia por estar passando por um processo de transformação mental e emocional. Muitos paradigmas meus em relação à esquizofrenia e doenças mentais mudaram e já não sou mais a mesma pessoa que escreveu a primeira postagem desse blog. Eu ainda continuo defendendo os direitos de pessoas que têm transtornos mentais e advogo por condições melhores de tratamentos no nosso sistema de saúde mental, mas preciso estar bem comigo mesmo para fazer isso.

Em setembro desse ano de 2018, eu passei por um período muito forte de depressão e cheguei a tentar ligar para o CVV. Muitas questões do meu passado me vieram em mente e eu estava me sentindo sem saída porque não confiava em ninguém para me ajudar. Era como se eu me focasse apenas nas mazelas da sociedade, sem ver uma luz no fim do túnel. Isso contradizia o que eu mais acredito: tudo é possível desde que eu tenha intenção de melhorar. Resolvi lembrar do meu maior trunfo em relação a crises: depressão não é algo ruim, e sim algo bom que está te mostrando um caminho.

A visão de que a depressão é algo bom me ajudou a decretar para mim mesmo: preciso fazer algo para melhorar agora, e dessa vez tem que ser para valer. Isso não quer dizer que eu nunca vou sentir depressão de novo ou que vou fazer tudo perfeito (é uma demanda impossível), mas foi uma atitude necessária para começar a aumentar a minha autoestima e ir em direção ao que eu quero ser.

Estou aproveitando o tempo para cuidar de mim mesmo porque, de 2018 para cá, eu passei a ter uma dor enorme no nervo ciático (ao ponto de às vezes não conseguir caminhar direito), então estou fazendo exercícios físicos todos os dias (Pilates e caminhadas) para me recuperar aos poucos. Graças a Deus, já estou sentindo melhora com os exercícios que venho fazendo, além de ter uma postura das costas mais firme.

Quando fico com depressão, me afasto muito das pessoas e não quero conversar com ninguém, portanto, me afastei muito dos meus amigos. Hoje estou revertendo a situação e sendo mais comunicativo porque eu gosto muito das pessoas ao meu redor e, por ter perdido um amigo muito querido para o suicídio esse ano, estou valorizando muito mais as amizades. Acho que amizades nos dão um sustento muito grande e isso significa estar lá por alguém, assim como ter alguém que estará lá por você. Só fui ter uma compreensão mais profunda disso a partir desse ano. Afastar-se das pessoas só me colocou mais para o fundo do poço, além de ser, num certo nível, um desrespeito com os outros.

Uma das minhas primeiras atitudes foi fazer uma dieta de redes sociais (até mesmo desativei o meu Facebook por algum tempo). Tirei o Instagram e o Facebook do meu smartphone (instalei ontem novamente) e deixei instalado apenas o WhatsApp. Isso foi necessário para que eu voltasse a ter disciplina e focasse em, por exemplo, fazer exercícios físicos todos os dias (além de ter me colocado num desafio de ficar sem açúcar refinado por 30 dias). O resultado dessa disciplina? Uma autoestima muito maior. É claro que tenho muitas outras questões emocionais para tratar, mas isso leva tempo e demanda atitudes.

Recebi na semana passada uma mensagem de uma pessoa me perguntando se eu iria voltar a escrever para o blog, então senti que há muitas pessoas que gostam do meu blog e têm um carinho enorme por mim. Agradeço a todo carinho que me é dado e desejo melhoras para todos que estiverem passando por dificuldades. Já conversei com algumas pessoas pelo Facebook e todas foram muito gentis comigo e espero continuar contribuindo com elas.

Também tenho buscado ajuda de outras pessoas e até mesmo ontem participei de um grupo de apoio aqui no sul. Eu destaco muito a importância de grupos de apoio porque eles ajudam a energia fluir e você tem noção de que não está sozinho nessa. Portanto, essa é uma boa indicação que eu posso dar: busque um grupo de apoio se estiver passando por muitas dificuldades para superar o seu transtorno mental.

Eu sou muito fã do Batman e para finalizar essa postagem eu gostaria de deixar esse vídeo sensacional que tem muito a ver com essa minha última crise de depressão. Espero que ajude você que passa pela mesma situação.

Era isso por hoje.

Forte abraço, pessoal!

Soteria

Eu não sou a favor da internação involuntária e muito menos da medicação forçada. Existem alternativas de tratamento para esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo sem a intervenção de medicamentos (o que não existe ainda no Brasil). Entretanto, também não sou 100% contra medicamentos. Acho que eles podem ser utilizados como ferramentas para o tratamento desses transtornos mentais, mas o que acontece é que eles são usados indiscriminadamente por muitos profissionais da saúde.

Para quem tem dúvidas sobre as alternativas de tratamentos sem remédios para psicoses, recomendo o documentário Pegue essas Asas Partidas, produzido por Daniel Mackler:

Soteria é uma palavra grega que significa salvação ou libertação. Em abril de 1971, o psiquiatra Loren Mosher abriu em San Jose (Califórnia) uma casa de tratamento para portadores de transtornos mentais chamada Soteria. A casa tinha como política o não uso de antipsicóticos (ou apenas o seu uso mínimo em alguns casos) para o tratamentos de clientes diagnosticados com esquizofrenia.

A Casa Soteria de San Jose atendia de 6 a 7 pessoas por vez e seus colaboradores não tinham credenciais profissionais, mas eram selecionados através da sua capacidade de serem psicologicamente fortes, independentes, maduros e empáticos. Um dos princípios básicos para o atendimento das pessoas com transtornos mentais que ingressavam na casa era de que a sua experiência psicótica era compreensível dentro do seu contexto histórico.

Por incrível que pareça, a abordagem do Projeto Soteria de não uso de remédios (ou uso mínimo) apresentou resultados semelhantes senão superiores aos de outros hospitais psiquiátricos da época. Apesar de a Casa Soteria de San Jose ter sido fechada em 1983 devido a pouco investimentos no projeto, o seu modelo foi replicado em vários países da Europa.

Em Soteria Berne, na Suíça, os profissionais ficam 24 horas com os clientes, acalmando-os e dando sentimento de segurança. Como regras, eles não têm celulares e nem computadores e você não é permitido assistir a TV e nem escutar música, tendo como objetivo descartar os estímulos externos.

A Casa Soteria de Berne é uma casa normal no centro da cidade, onde os clientes podem sair e entrar a vontade. Lá, eles compartilham compras, cozinham e comem juntos, brincam, fazem jardinagem e caminhadas.

Para os interessados nesse tipo de tratamento, Loren Mosher lançou um livro chamado Community Mental Health: A Practical Guide, o qual pode ser adquirido pela Barnes & Noble através desse link.

Ainda não encontrei no Brasil locais com abordagens semelhantes às do Projeto Soteria. Às vezes tenho a impressão que a maioria dos profissionais que lida com saúde mental ainda tem receios em relação a esse tipo de abordagem. O que é feito em casas com o modelo Soteria implica em trabalhos que apresentam resultados no longo prazo, e não no curto prazo como possibilitam os antipsicóticos.

Infelizmente, a sociedade da pílula mágica se baseia em resultados rápidos. Apesar das novas políticas que estão sendo lançadas em relação à saúde mental que vão de encontro com a luta antimanicomial, espero que a situação no Brasil não piore.

Bibliografia